Resumo
Apresenta-se uma reflexão sobre a região da Alta Estremadura e Terras de Sicó no período designado pelos arqueólogos como Bronze Final, que incide sobre a transição do II para o I milénio a.C. Nessa reflexão tem-se como referência a metalurgia do bronze, na sua dimensão arqueométrica, tecnológica e simbólica. Recuperam-se dados conhecidos e apresentam-se dados inéditos resultantes de distintos projectos, em curso ou concluídos, que compreenderam o estudo e a análise química por Fluorescência de raios-X (XRF) de 17 artefactos de bronze dos concelhos de Condeixa-a-Nova, Ansião, Alvaiázere e Batalha. Atende-se igualmente aos respectivos contextos e circunstâncias de achado, sempre que conhecidos, valorizando-se, outrossim, os contextos espaciais.Os resultados obtidos mostram que armas, objectos de trabalho, nomeadamente ligados ao ciclo agrícola, ao corte de peles/ couros, à carpintaria, bem como outros artefactos associados a rituais de comensalidade, faziam parte das vivências das comunidades de então, no dia-a-dia ou só em dias especiais, no seu todo ou apenas ao nível das elites. Esses resultados confirmam também que tais comunidades, desde o artesão ao consumidor, faziam parte, com todas as suas especificidades regionais que as tornam únicas, de um mundo cultural mais abrangente, onde circulavam objectos, tecnologia, costumes e ideias.No final desta comunicação alarga-se ainda o olhar às origens da produção e deposição do metal para se dar conta de projectos em fase de arranque para esta região.
Palabras chave
Arqueometalurgia. Bronce Final. Europa atlántica. Portugal.