Resumo
As práticas pastoris são a atividade humana mais relevante para analisar a antropização das zonas de alta montanha na Península Ibérica numa perspetiva de longa duração. A investigação arqueológica e os estudos paleoambientais recentes mostram os vestígios mais antigos de atividades pecuárias nos níveis alpinos e subalpinos durante o Neolítico, bem como evidências de diversas ocupações e práticas produtivas ao longo de vários milénios. Estes dados obrigam-nos a considerar os territórios de montanha como áreas profundamente humanizadas, afastando a consideração destes espaços como zonas selvagens ou refúgios da mais pura natureza. A Arqueologia da Paisagem reconhece padrões únicos de povoamento e uso em diferentes cronologias, bem como adaptações às condições geográficas e ambientais particulares dos diferentes territórios montanhosos ibéricos. Apesar disso, as atividades pastoris desenvolvidas na época moderna e contemporânea são normalmente observadas através de um prisma a-histórico que minimiza a mudança ou a diversidade sob conceitos como "sistema camponês tradicional" ou "formas pastoris pré-industriais". O peso dos estudos etnográficos sobre as formas pastoris típicas da Cordilheira Cantábrica ou os relatos de viajantes e montanhistas do século passado empobrecem a compreensão sócio histórica de atividades como a transumância, habitualmente descrita como uma prática homogénea e estática, que se desenvolveu sem alterações desde a Idade Média até à industrialização. Com o objetivo de romper com estas visões, descrevemos os resultados preliminares da nossa investigação na região de Babia (Leão, Espanha), onde analisamos as práticas pastoris com base nos dados arqueológicos obtidos pela nossa equipa em relação aos últimos quinhentos anos.
Palabras chave
Arqueología del paisaje. Arqueología histórica. Trashumancia. Arqueología en áreas de montaña. Cordillera Cantábrica.